Mais de 100 milhões votaram antecipadamente - pelo correio ou pessoalmente -, um número recorde, que representa mais de 73% do total de votos emitidos há quatro anos


AFP
03/11/2020 23:43 - atualizado 03/11/2020 23:46

 

 


Os primeiros resultados eleitorais nos Estados Unidos mostraram nesta terça-feira uma disputa acirrada pela Casa Branca entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden, em eleições atingidas pela pandemia e em meio a uma polarização profunda.

 


Mais de 100 milhões votaram antecipadamente - pelo correio ou pessoalmente -, um número recorde, que representa mais de 73% do total de votos emitidos há quatro anos.


A grande imprensa projetou uma vitória de Biden em Connecticut, Delaware, Maryland, Ilinois, Massachusetts, Rhode Island, Vermont, Virgínia e Nova Jersey, bem como na capital, Washington, locais em que a democrata Hillary Clinton venceu em 2016. Isso daria a Biden um total de 88 votos eleitorais dos 270 necessários para a vitória, segundo o sistema americano de votação universal indireta, em que o voto popular se traduz em delegados de um Colégio Eleitoral.


A imprensa previu uma vitória de Trump em Alabama, Arkansas, Indiana, Kentucky, Mississippi, Oklahoma, Tennessee e Virgínia Ocidental, o que se traduz em 63 votos eleitorais.


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Esses resultados não são uma surpresa, e o país segue em suspense, acompanhando a apuração nos estados considerados chave para a vitória, e onde os centros de votação já fecharam, como Flórida, Geórgia, Carolina do Norte, Ohio e Pensilvânia, que Trump conquistou em 2016 e os apoiadores de Biden esperam tingir de azul.


"ESTAMOS MUITO BEM EM TODO O PAÍS. OBRIGADA!", tuitou Trump, que acompanhava da Casa Branca os resultados. Antes, disse não estar pensando no discurso de derrota ou vitória. "Ganhar é fácil. Perder nunca é fácil, pelo menos para mim", declarou em Arlington, Virgínia.


Biden também se mostrou confiante, embora tenha dito ser supersticioso e preferido não antecipar nenhum resultado. "O que ouvi é que há uma participação esmagadora, especialmente de jovens e mulheres, negros", disse em Wilmington, Delaware, onde reside, o que considerou "um bom presságio".

 

O ex-vice-presidente de Barack Obama conta com 51,2% de pessoas o apoiando diante dos 44% do atual presidente, e tem uma liderança de 2,3 pontos percentuais em Estados-chave para vencer a eleição, segundo a média das pesquisas feitas pelo RealClearPolitics.


Antes, na Filadélfia, Biden teve uma série de lapsos, confundindo uma neta com outra e, erroneamente, aludindo ao filho falecido. A perda de capacidade cognitiva de Biden tem sido uma fonte constante de zombaria de Trump.


- Longa noite -


Os Estados Unidos se preparavam para demorar a conhecer o vencedor das eleições, uma vez que, em alguns estados, a apuração poderá levar dias. Os centros eleitorais irão fechar ao logo da noite, até as 6h GMT, quando os últimos votos serão depositados no Alasca.


"Deveríamos ter o direito de saber quem ganhou em 3 de novembro", declarou Trump, que, muitas vezes, questionou a legitimidade do voto por correspondência e da recontagem pós-eleitoral. "Acho que teremos uma ótima noite, mas é política... nunca se sabe", acrescentou, em Arlington, Virgínia.


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Antes, o presidente havia minimizado as afirmações de que planejava se declarar vencedor antes do fim da votação. "Não há razão para jogos", disse, durante entrevista por telefone à Fox News.


- Biden vence entre os hispânicos -


Do recorde de 100,1 milhões de votos antecipados, estima-se que 44,8% sejam democratas, mas os republicanos confiavam numa participação em massa.


"Quem vai votar em Biden?" Clara Giménez, cubana de 49 anos que desembarcou do barco "Mariel" em 1980, questionou em Miami e escolheu Trump "porque ele é anticomunista e porque é milionário, não precisa de dinheiro, nem de fama."


Annie Belman, por sua vez, optou por Biden, cuja campanha questionou duramente a forma como o governo Trump enfrentou a pandemia de covid-19, que já matou mais de 231.000 americanos. "A abordagem de Trump contra a ciência e seu comportamento temerário é uma das muitas razões pelas quais eu nunca votaria nele", disse a septuagenária.


Na Califórnia, Joel Luis, operário mexicano de 56 anos, disse com orgulho que votou em Trump, apesar de ter votado em Clinton em 2016. "Minha situação melhorou nesses quatro anos", afirmou.


"Não sei como alguém pode gostar de Trump, quero que ele seja preso", desabafou Alex Tovar, outro mexicano, que passou 40 de seus 58 anos nos Estados Unidos. Ambos são de East LA, localidade de Los Angeles onde mais de 95% da população é latina.


Mais de 8,6 milhões de hispânicos, principal minoria étnica nos Estados Unidos, votaram antecipadamente, segundo a organização Naleo Educational Fund. Uma pesquisa da consultoria Latino Decisions aponta que Biden venceu entre os eleitores latinos em todo o país, por 43 pontos.


- Dispositivos de segurança -


A possibilidade de que o país volte a ser azul democrata, ou permaneça vermelho republicano, aumenta o temor aos distúrbios sociais, depois das manifestações por vezes violentas contra o racismo que abalaram o país este ano.


A capital Washington, como outras grandes cidades, amanheceu com suas lojas e escritórios fechados e as forças policiais em alerta máximo. Em Nova York, diante da famosa Trump Tower, um dispositivo de segurança foi mobilizado.


Trump, que há um mês foi hospitalizado por causa da covid-19, e Melania, que também foi infectada, organizaram uma festa para aguardar os resultados.

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Além da presidência e da vice-presidência, as 435 cadeiras na Câmara dos Deputados serão escolhidas, e se espera que os democratas mantenham e, possivelmente, aumentem sua liderança. Além disso, cerca de um terço do Senado está na disputa, onde os republicanos correm o risco de perder sua maioria de 53-47.


No momento, estes últimos comemoram a vitória do senador aliado de Trump Mitch McConnell, líder da maioria republicana reeleito em Kentucky, segundo a Fox News e o New York Times.


O mundo inteiro acompanha de perto a eleição desta terça-feira, depois de um primeiro mandato de Trump marcado por relações tensas com aliados da Otan e com a China, pela retirada de Washington do Acordo do Clima de Paris e da Organização Mundial da Saúde, e pela renúncia ao acordo nuclear com o Irã.


O continente americano também observará o resultado após o T-MEC com o México e o Canadá, a sintonia de Trump com o Brasil e o confronto com Venezuela, Cuba e Nicarágua.