O Music In The Tablet (MITT), parte da programação do Festival Se Rasgum, transmite nesta segunda (26) e terça (27) o workshop "Carreira e remuneração na música", às 18h, para discutir novos cenários e desafios do mercado musical enfrentados em 2020. A programação é ministrada pela diretora de pesquisa do Data SIM e Sonar Cultural, Dani Ribas.

O MITT será transmitido on-line e gratuitamente entre os dias 26 e 31 de outubro no canal do festival na internet.

As atividades de workshops e masterclass terão inscrições via plataforma digital de eventos e transmissão por aplicativo de videoconferência.

 

'Recomeçar nunca é fácil'

 

Dani Ribas — Foto: Divulgação / Patricia Soransso

Dani Ribas — Foto: Divulgação / Patricia Soransso

Recomeçar nunca é fácil, ainda mais no caso do mercado da música que está num período de reinvenção. “Eu não vejo a gente voltando pro show ao vivo, por enquanto. É hora de pensarmos uma saída coletiva que abranja a todos”, avalia Dani Ribas.

Mais de 500 produtoras, metade delas Micro Empreendedores Individuais (MEIs), foram afetadas pela pandemia, impactando em cerca de oito mil eventos, de acordo com o núcleo de pesquisa da Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo) sobre os impactos da Covid-19 no mercado de música do Brasil. Os prejuízos superam R$480 milhões apenas em março.

“Os artistas independentes são importantes, inclusive para diversidade musical. Se a gente pensar em todo o modelo da música hoje com as plataformas digitais com milhões de musica, a diversidade musical é essencial. Quem vai querer estar numa plataforma musical só com 10 musicas? Então é preciso política pública. É hora do setor pensar coletivamente em saídas e também transformar essa indústria numa indústria mais transparente e mais igualitária”, defende Dani Ribas.

Dividido em dois encontros, o curso "Carreira e remuneração na música" deve abordar justamente aspectos fundamentais para a gestão de carreira em época de streaming e redes sociais. As aulas terão como temas questões que músicos independentes já se depararam, como as frentes de trabalho para quem quer ser profissional, mas não tem empresário ou escritório de gestão, e como funciona a remuneração no ambiente digital, entre outros.

 

“Os artistas podem sim viver da sua música", afirma.

 

"(...) porque eles podem gravar em casa e contratando serviços, que às vezes são até gratuitos, de distribuição digital. Eles podem até mesmo subir as suas próprias músicas nas plataformas de streaming. Então os músicos podem viver do seu trabalho. O auto 'empresariamento' é assumir essas diversas frente de trabalho que não existiam até alguns anos atrás", conclui.